sábado, 14 de março de 2015

Lewis Carroll

" Lewis Carroll
Tudo em Lewis Carrol começa por um combate terrível. É o combate das profundezas: coisas arrebentam ou nos arrebentam, caixas são pequenas demais para seu conteúdo, comidas são tóxicas ou venenosas, tripas se alongam, monstros nos tragam. Um irmãozinho usa seu irmãozinho como isca. Os corpos se misturam, tudo se mistura numa espécie de canibalismo que reúne o alimento e o excremento. Mesmo as palavras se comem. É o domínio da ação e da paixão dos corpos: coisas e palavras se dispersam em todos os sentidos ou, ao contrário, soldam-se em blocos indecomponíveis. Nas profundezas, tudo é horrível, tudo é não-senso. Alice no País das Maravilhas era para intitular-se inicialmente As aventuras subterrâneas de Alice".

"Crítica e Clínica", por Gilles Deleuze, pela Editora 34

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